E EU?
Ter ciúmes é uma coisa natural. De quem tem afectos. Toda a gente tem ciúmes. Eu tenho ciúmes quando o meu papagaio deixa que os outros lhe façam festinhas no bico e a mim me ameaça com ele aberto (isto é amor à dona – entenda-se). E também tenho ciúmes quando os meus filhos andam o fim-de-semana todo atrás do pai porque o pai dá e o pai faz e ensina e o pai é que sabe e a mãe é feia e não percebe nada do assunto (claro que quando o contrário acontece, às vezes, prefiro os ciúmes). Temos ciúmes toda a vida e se calhar, os primeiros ciúmes que temos, a sério, até são relacionados com os irmãos. Há ciúmes saudáveis e outros menos. Dependem de tanta coisa! Dos miúdos, da idade e da personalidade deles, das vivências, dos pais, da família, da relação que têm com outros. Não são necessariamente causados pelos muito maus pais (que nem são nada maus) que esse miúdo tem. Acho difícil evitar ciúmes, acabam por surgir (nem que seja em plena adolescência), mas também desconfio de ataques de ciúmes exagerados e muito provavelmente sou capaz de pensar que o problema é dos pais da criancinha (numa daquelas análises de quem não está dentro do assunto e não tinha nada que meter o nariz). Mas num primeiro filho (quase sempre) muito mimado, sim, acabam por aparecer. Não são uma tragédia e são muito atenuáveis se os pais fizerem por isso passando, com o tempo, a manifestar-se só naquelas alturas em que eles querem o último jogo de Gameboy (“Porque vocês não gostam de mim e só gostam deles, blá blá blá”) e na verdade não são mais do que uma forma de chamar atenção e, mais tarde, funcionam que é uma maravilha como chantagens psicológicas. É fácil imaginar como é que aparecem. Nasce-nos um filho, o primogénito, o fenómeno e possivelmente uma das crianças mais brilhantes e bonitas do mundo. É aquele filho que nos ensina o amor que até lá nunca na vida existiu. É aquele filho que nos ensina uma data de coisas até antes desconhecidas e que nos altera, também, outro tanto incluindo o coração. Deste filho há fotografias por todo o lado, a atenção chove a cântaros para o ai Jesus da família, até tem poder sobre uma série de coisas. Basta verificar o que se alterou radicalmente por causa dele. O dia em que aparecer um intruso para partilhar com ele o colinho, o quarto, os mimos, o sossego e praticamente TUDO provocará, no mínimo, alguma mudança. Pronto. Agora é só multiplicar por dois intrusos e temos, no mínimo, duas mudanças.
Objectivamente, o que são os ciúmes? Os ciúmes são uma forma, umas vezes com razão e tantas vezes sem, de as criancinhas mostrarem aos pais que, tal como os manos bebés, também são muito dependentes, também precisam imenso dos pais e HELLO, EU ESTOU AQUI, PORQUE É QUE VEIO (VIERAM) A(S) CRIATURA(S) SEM ME CONSULTAREM?. Aos pais cabe o papel de explicarem e mostrarem que não é nada assim e que nem um, dois, três, deusqueiraquenãoquatro hão-de alterar assim tanto aquilo que sempre existiu e que, pelo contrário, os pais a adoram sempre, mesmo que existam uma dúzia de criaturas. Claro que em certas idades é mais fácil explicar o que quer que seja; nas idades em que não se explica é provavelmente quando os trabalhos vão ser outros (ter três bebés em casa, por exemplo).
A preparação começa logo na altura em que se anuncia à criança. Eles vão achar uma graça a barriga da mãe a crescer, as crianças adoram novidades. E uma mãe tola de feliz que passa a vida a apontar para barriga e a dizer “os bebés, os bebés, festinhas nos bebés” e um umbigo mais do que atraente para se enfiar lá o dedo são a cereja. E depois a mãe fala sempre bem das criaturas, besunta-se de cremes e transpira auto-estima pelo que deve ser coisa boa que vem aí, só pode. A criança não faz ideia do que vem por aí, só pode. Os ciúmes podem começar a ser extintos mesmo antes de existirem durante os nove meses. Depois do nascimento, o pai é uma peça fundamental e o segredo é fazer tudo aquilo que for possível para reservar momentos para os filhos mais velhos para que percebam que há coisas que não mudaram, que os bebés são mais do que intrusos que fazem coisas malcheirosas.
1 – ANUNCIAR Erro dizer ao primogénito que agora “vamos ter um bebé, tens que gostar muito dele, porque vão ser muitos amigos, blá blá blá”. Isso é pressionar a criança, ela não pode sentir-se obrigada a gostar dos bebés! Na verdade, ela não tem nenhum “compromisso” com esses bebés. Duplo erro dizer ao primogénito que os bebés são uma prenda e vêm porque os pais querem que ela seja feliz. Ela vai pensar que domina o galinheiro e que os pais até mandam vir bebés para ela ficar contente (para além de que os bebés não se “mandam vir”). Os bebés vêm porque os pais acham que sim e pronto. Para baixo dos dois anos não há muito que se possa fazer. A criança está um bocado virada para si própria (fase do “eu” e do “não quer”) e tanto se lhe faz como se lhe fez que mãe agora acorde e se deite a dizer que tem um bebé na barriga, a tonta. Para cima dos dois anos eles vão ficar todos contentes porque, efectivamente, não sabem muito bem o que se vai passar, que o melhor ainda está para vir.
2- PREPARAR E explicar, quando já têm idade para isso. Quando não têm, podem sempre ver álbuns de fotografias e verem-se bebés e outros bebés. É engraçado ver as reacções deles e fica-se logo a perceber um bocadinho da realidade deles, como eles vêem um bebé (ou dois). Ao longo do tempo é bom também mostrar-lhe a realidade em si. Não falar em demasia, para ela não pensar que agora o mundinho se resume a uma criancinha que ela não vê, mas é bom familiarizá-la com as rotinas de um bebé e das suas incapacidades em ser autónomo, enquanto que ela, a “mais grande” é desenrascadíssima e muito maior. Se ela quiser até pode participar nas compras, no arranjo do quarto dos bebés e escolher coisas para dar aos bebés.
3 - MANTER as rotinas dos filhos mais velhos é essencial. Deixar, se possível, todas as mudanças para muito depois do nascimento ou então fazê-lo no início da gravidez. Coisas como deixar as fraldas e chupetas e mudanças muito notórias de quartos ou camas. Quero dizer, não é agora porque a criança ainda dorme na cama de grades que por acaso vai ser precisa para um dos bebés que se vai comprar outra para ela não ficar traumatizada. Mas fazê-lo de forma discreta não custa nada (o que não inclui “bem, vais passar a dormir noutra cama porque essa é precisa para os bebés” – isso é mesmo coisa que lhe dizer que “deixas de ser pequenino e passas a ser grande porque vem aí alguém para substituir esse lugar”). Se os meninos andam na escola, continuam na escola (mesmo que façam uma grande birra para ir de manhã), se estão em casa não vão agora estagiar para casa dos avós (o que não quer dizer que não aconteça nos primeiros dias) só porque sim – principalmente se são pequenitos, que não percebem.
4 – RESERVAR momentos para os filhos mais velhos, seja lá onde esses momentos estiverem. São absolutamente obrigatórios, quanto mais pequenitos forem, porque é para estes que vai ser difícil perceber realmente porque é que a mãe agora não arranja tempo só para eles. O ideal é algo fora de casa, fora do ambiente das fraldas, das maminhas e dos halibutes. Basta uma horinha por dia porque a mãe não vai ser capaz de não deixar de pensar no filho mais velho, cheia de remorsos, mas convém uma hora a sós, a fazer algo que o primogénito gosta. Ele vai perceber que afinal as coisas não são assim tão más e que, ao que parece, os bebés não mudaram tudo.
5 – INTEGRAR os filhos na rotina dos pequenitos, isto consoante as idades, claro. Normalmente os miúdos gostam de fazer pequenos favores e ficam contentes por ajudar porque as crianças são assim. Além disso sentem-se muito crescidas e mesmo importantes o que contribui sempre para o ego da criancinha e poderá, eventualmente, afastar birras. Agora não se vão obrigar os miúdos a ir buscar a fralda quando estão muito bem a brincar aos legos. Foram os pais que se meteram na embrulhada do 2 em 1. Os pais que se amanhem e se os filhos (pequenitos) quiserem ajudar, ajudam. (Pois, porque se for um filho de 16 anos, com uma crise de ciúmes a dizer que não quer ajudar porque foram os pais que arranjaram o 2 em 1, já acho mal. Mas isso sou eu.)
6 – EXIGIR que os filhos que já existem tratem bem os pequeninos. Se não têm obrigação de os apaparicar e agradecer aos pais por tal feito, não podem, de maneira nenhuma, mostrar o seu desagrado testando o plástico de uma garrafa vazia no queixo de um dos bebés (situação verídica). Aí, tenha o filho 18 meses, 28 meses ou 8 anos o discurso é igual para todos e não há cada facilidades.
7 – COMPREENDER eventuais retrocessos. Não são assim tão raros como se diz por aí mas a verdade é que podem existir, dependendo, também das idades. Mas pronto chichis nas camas, ajudas para vestir quando se vestiam já tão bem, leite outra vez no biberão, muita chupeta depois de dois irmãos chorões até são coisa que se compreendem bem.
8 – REPETIR algumas vezes por dia que se gosta muito dela, criança primogénita, e que ela é muito crescida e muito mais desenrascada que os bebés que só comem e dormem.
9 – AJUDAR O pai tem que ajudar. A mãe nunca poderá andar sempre de volta dos mais velhos a perguntar se se sentem bem e se gostam da sua nova realidade e que a mãe gosta muito deles nhã-nhã-nhã porque para além de ter que amamentar ainda tem que descansar. Alguém tem que acompanhar os mais velhos, que eles não se podem ver, de repente, sozinhos.
10 – ENXOTAR as visitas que só trazem presentes para os bebés. Eu fazia logo uma triagem à porta, de quem vinha com sacarias. “Traz prenda para os três? Ai, não?” e arrumava logo os presentes dos bebés sem o outro ver. Há uma tendência inconsciente da família para de repente achar mais graça aos cocós dos bebés do que às palavras novas do filhote mais velho (principalmente as tias solteironas). Pois. Eu também achava que não e depois foi o que se viu. Uma data de visitas de volta das criaturas e o filho mais velho em cima de mim numa de “Mas o que isto agora, pá? Ora não me largam, ora não me ligam nenhuma” e eu “ah, mas sabiam que ele agora já come muito bem sozinho?” e outras pérolas.
Para as mães queridas e corajosas que depois de um, se vêem a braços com três, sem passar pelo dois, tenho duas coisas a dizer:
- Não acreditem em nada do que lerem sobre gémeos, que é muito difícil e tal (a não ser este blog, obviamente) porque é tudo feito para mães de primeira viagem que, enfim, vamos lá, não sabem muito bem no que se estão a meter. Atenção, vocês são especialistas e doutoradas em tudo o que vos espera, vai ser facílimo.
- Boa sorte.
Ter ciúmes é uma coisa natural. De quem tem afectos. Toda a gente tem ciúmes. Eu tenho ciúmes quando o meu papagaio deixa que os outros lhe façam festinhas no bico e a mim me ameaça com ele aberto (isto é amor à dona – entenda-se). E também tenho ciúmes quando os meus filhos andam o fim-de-semana todo atrás do pai porque o pai dá e o pai faz e ensina e o pai é que sabe e a mãe é feia e não percebe nada do assunto (claro que quando o contrário acontece, às vezes, prefiro os ciúmes). Temos ciúmes toda a vida e se calhar, os primeiros ciúmes que temos, a sério, até são relacionados com os irmãos. Há ciúmes saudáveis e outros menos. Dependem de tanta coisa! Dos miúdos, da idade e da personalidade deles, das vivências, dos pais, da família, da relação que têm com outros. Não são necessariamente causados pelos muito maus pais (que nem são nada maus) que esse miúdo tem. Acho difícil evitar ciúmes, acabam por surgir (nem que seja em plena adolescência), mas também desconfio de ataques de ciúmes exagerados e muito provavelmente sou capaz de pensar que o problema é dos pais da criancinha (numa daquelas análises de quem não está dentro do assunto e não tinha nada que meter o nariz). Mas num primeiro filho (quase sempre) muito mimado, sim, acabam por aparecer. Não são uma tragédia e são muito atenuáveis se os pais fizerem por isso passando, com o tempo, a manifestar-se só naquelas alturas em que eles querem o último jogo de Gameboy (“Porque vocês não gostam de mim e só gostam deles, blá blá blá”) e na verdade não são mais do que uma forma de chamar atenção e, mais tarde, funcionam que é uma maravilha como chantagens psicológicas. É fácil imaginar como é que aparecem. Nasce-nos um filho, o primogénito, o fenómeno e possivelmente uma das crianças mais brilhantes e bonitas do mundo. É aquele filho que nos ensina o amor que até lá nunca na vida existiu. É aquele filho que nos ensina uma data de coisas até antes desconhecidas e que nos altera, também, outro tanto incluindo o coração. Deste filho há fotografias por todo o lado, a atenção chove a cântaros para o ai Jesus da família, até tem poder sobre uma série de coisas. Basta verificar o que se alterou radicalmente por causa dele. O dia em que aparecer um intruso para partilhar com ele o colinho, o quarto, os mimos, o sossego e praticamente TUDO provocará, no mínimo, alguma mudança. Pronto. Agora é só multiplicar por dois intrusos e temos, no mínimo, duas mudanças.
Objectivamente, o que são os ciúmes? Os ciúmes são uma forma, umas vezes com razão e tantas vezes sem, de as criancinhas mostrarem aos pais que, tal como os manos bebés, também são muito dependentes, também precisam imenso dos pais e HELLO, EU ESTOU AQUI, PORQUE É QUE VEIO (VIERAM) A(S) CRIATURA(S) SEM ME CONSULTAREM?. Aos pais cabe o papel de explicarem e mostrarem que não é nada assim e que nem um, dois, três, deusqueiraquenãoquatro hão-de alterar assim tanto aquilo que sempre existiu e que, pelo contrário, os pais a adoram sempre, mesmo que existam uma dúzia de criaturas. Claro que em certas idades é mais fácil explicar o que quer que seja; nas idades em que não se explica é provavelmente quando os trabalhos vão ser outros (ter três bebés em casa, por exemplo).
A preparação começa logo na altura em que se anuncia à criança. Eles vão achar uma graça a barriga da mãe a crescer, as crianças adoram novidades. E uma mãe tola de feliz que passa a vida a apontar para barriga e a dizer “os bebés, os bebés, festinhas nos bebés” e um umbigo mais do que atraente para se enfiar lá o dedo são a cereja. E depois a mãe fala sempre bem das criaturas, besunta-se de cremes e transpira auto-estima pelo que deve ser coisa boa que vem aí, só pode. A criança não faz ideia do que vem por aí, só pode. Os ciúmes podem começar a ser extintos mesmo antes de existirem durante os nove meses. Depois do nascimento, o pai é uma peça fundamental e o segredo é fazer tudo aquilo que for possível para reservar momentos para os filhos mais velhos para que percebam que há coisas que não mudaram, que os bebés são mais do que intrusos que fazem coisas malcheirosas.
1 – ANUNCIAR Erro dizer ao primogénito que agora “vamos ter um bebé, tens que gostar muito dele, porque vão ser muitos amigos, blá blá blá”. Isso é pressionar a criança, ela não pode sentir-se obrigada a gostar dos bebés! Na verdade, ela não tem nenhum “compromisso” com esses bebés. Duplo erro dizer ao primogénito que os bebés são uma prenda e vêm porque os pais querem que ela seja feliz. Ela vai pensar que domina o galinheiro e que os pais até mandam vir bebés para ela ficar contente (para além de que os bebés não se “mandam vir”). Os bebés vêm porque os pais acham que sim e pronto. Para baixo dos dois anos não há muito que se possa fazer. A criança está um bocado virada para si própria (fase do “eu” e do “não quer”) e tanto se lhe faz como se lhe fez que mãe agora acorde e se deite a dizer que tem um bebé na barriga, a tonta. Para cima dos dois anos eles vão ficar todos contentes porque, efectivamente, não sabem muito bem o que se vai passar, que o melhor ainda está para vir.
2- PREPARAR E explicar, quando já têm idade para isso. Quando não têm, podem sempre ver álbuns de fotografias e verem-se bebés e outros bebés. É engraçado ver as reacções deles e fica-se logo a perceber um bocadinho da realidade deles, como eles vêem um bebé (ou dois). Ao longo do tempo é bom também mostrar-lhe a realidade em si. Não falar em demasia, para ela não pensar que agora o mundinho se resume a uma criancinha que ela não vê, mas é bom familiarizá-la com as rotinas de um bebé e das suas incapacidades em ser autónomo, enquanto que ela, a “mais grande” é desenrascadíssima e muito maior. Se ela quiser até pode participar nas compras, no arranjo do quarto dos bebés e escolher coisas para dar aos bebés.
3 - MANTER as rotinas dos filhos mais velhos é essencial. Deixar, se possível, todas as mudanças para muito depois do nascimento ou então fazê-lo no início da gravidez. Coisas como deixar as fraldas e chupetas e mudanças muito notórias de quartos ou camas. Quero dizer, não é agora porque a criança ainda dorme na cama de grades que por acaso vai ser precisa para um dos bebés que se vai comprar outra para ela não ficar traumatizada. Mas fazê-lo de forma discreta não custa nada (o que não inclui “bem, vais passar a dormir noutra cama porque essa é precisa para os bebés” – isso é mesmo coisa que lhe dizer que “deixas de ser pequenino e passas a ser grande porque vem aí alguém para substituir esse lugar”). Se os meninos andam na escola, continuam na escola (mesmo que façam uma grande birra para ir de manhã), se estão em casa não vão agora estagiar para casa dos avós (o que não quer dizer que não aconteça nos primeiros dias) só porque sim – principalmente se são pequenitos, que não percebem.
4 – RESERVAR momentos para os filhos mais velhos, seja lá onde esses momentos estiverem. São absolutamente obrigatórios, quanto mais pequenitos forem, porque é para estes que vai ser difícil perceber realmente porque é que a mãe agora não arranja tempo só para eles. O ideal é algo fora de casa, fora do ambiente das fraldas, das maminhas e dos halibutes. Basta uma horinha por dia porque a mãe não vai ser capaz de não deixar de pensar no filho mais velho, cheia de remorsos, mas convém uma hora a sós, a fazer algo que o primogénito gosta. Ele vai perceber que afinal as coisas não são assim tão más e que, ao que parece, os bebés não mudaram tudo.
5 – INTEGRAR os filhos na rotina dos pequenitos, isto consoante as idades, claro. Normalmente os miúdos gostam de fazer pequenos favores e ficam contentes por ajudar porque as crianças são assim. Além disso sentem-se muito crescidas e mesmo importantes o que contribui sempre para o ego da criancinha e poderá, eventualmente, afastar birras. Agora não se vão obrigar os miúdos a ir buscar a fralda quando estão muito bem a brincar aos legos. Foram os pais que se meteram na embrulhada do 2 em 1. Os pais que se amanhem e se os filhos (pequenitos) quiserem ajudar, ajudam. (Pois, porque se for um filho de 16 anos, com uma crise de ciúmes a dizer que não quer ajudar porque foram os pais que arranjaram o 2 em 1, já acho mal. Mas isso sou eu.)
6 – EXIGIR que os filhos que já existem tratem bem os pequeninos. Se não têm obrigação de os apaparicar e agradecer aos pais por tal feito, não podem, de maneira nenhuma, mostrar o seu desagrado testando o plástico de uma garrafa vazia no queixo de um dos bebés (situação verídica). Aí, tenha o filho 18 meses, 28 meses ou 8 anos o discurso é igual para todos e não há cada facilidades.
7 – COMPREENDER eventuais retrocessos. Não são assim tão raros como se diz por aí mas a verdade é que podem existir, dependendo, também das idades. Mas pronto chichis nas camas, ajudas para vestir quando se vestiam já tão bem, leite outra vez no biberão, muita chupeta depois de dois irmãos chorões até são coisa que se compreendem bem.
8 – REPETIR algumas vezes por dia que se gosta muito dela, criança primogénita, e que ela é muito crescida e muito mais desenrascada que os bebés que só comem e dormem.
9 – AJUDAR O pai tem que ajudar. A mãe nunca poderá andar sempre de volta dos mais velhos a perguntar se se sentem bem e se gostam da sua nova realidade e que a mãe gosta muito deles nhã-nhã-nhã porque para além de ter que amamentar ainda tem que descansar. Alguém tem que acompanhar os mais velhos, que eles não se podem ver, de repente, sozinhos.
10 – ENXOTAR as visitas que só trazem presentes para os bebés. Eu fazia logo uma triagem à porta, de quem vinha com sacarias. “Traz prenda para os três? Ai, não?” e arrumava logo os presentes dos bebés sem o outro ver. Há uma tendência inconsciente da família para de repente achar mais graça aos cocós dos bebés do que às palavras novas do filhote mais velho (principalmente as tias solteironas). Pois. Eu também achava que não e depois foi o que se viu. Uma data de visitas de volta das criaturas e o filho mais velho em cima de mim numa de “Mas o que isto agora, pá? Ora não me largam, ora não me ligam nenhuma” e eu “ah, mas sabiam que ele agora já come muito bem sozinho?” e outras pérolas.
Para as mães queridas e corajosas que depois de um, se vêem a braços com três, sem passar pelo dois, tenho duas coisas a dizer:
- Não acreditem em nada do que lerem sobre gémeos, que é muito difícil e tal (a não ser este blog, obviamente) porque é tudo feito para mães de primeira viagem que, enfim, vamos lá, não sabem muito bem no que se estão a meter. Atenção, vocês são especialistas e doutoradas em tudo o que vos espera, vai ser facílimo.
- Boa sorte.
ola
e pela primeira vez que venho aqui ao seu blog
eu sou a sonia ,e vivo em londres
sou mae de 3 filhotes e agora estou gravida ,mas de gemeos ,familia grandita ne ?
espero poder vir aqui muitas mais vezes e poder contar com a tua visitinha
jinhos grandes
Posted by
Anónimo |
5/3/06 4:22 a.m.
Ui, espero que seja como dizes, facílimo!! :S
Beijinhos,
Posted by
Fusca |
5/3/06 9:22 a.m.
Mesmo que seja facílimo eu prefiro passar pelo 2 faxavor! Depois se houver possibilidades logo virá o 3 :)
Beijinhos
Posted by
Rita |
6/3/06 3:22 a.m.
Genial, como sempre :)
Essa dos ciúmes fez-me lembrar isto. Se calhar já leste, mas fica aí. Beijos
Posted by
papu |
6/3/06 6:05 a.m.
O meu filho punha-se á porta e não deixava ninguém entrar para ver as manas! E apesar de eu dizer que eram só os ciúmes...a verdade é que me apetecia fazer o mesmo!!!!
Posted by
Sofia Schiappa |
6/3/06 2:48 p.m.
Eu fiz essa dos presentes e o grave é que era a avó paterna que o fazia, até ao dia que eu disse ou trás para os dois ou para nenhum, que eu tenho dois filhos, pois diz lá estás tu com o mau feitio....Tentei tb o resto, mas sei que errei em alguns momentos, contudo eles têm uma complicidade única e ciumes são em grau positivo...
beijocas
PS: obrigada pelo mail
Posted by
carla |
7/3/06 8:29 a.m.
Acho que este post é excelente quer para quem tem um filhote e esper mais dois, como para quem tem um filhote e espera (apenas) mais um!
Gostei!
Posted by
Jolie |
7/3/06 9:11 a.m.
olha, e eu assino, literalmente, por baixo do que escreveu a Costinhas...
(mas eu já tenho as duas cá fora eheheh)
Parabéns pelo blog. Muito muito bom!!!
:))
Posted by
Zuza |
13/3/06 9:06 a.m.
Há que tempos q esperava por isto!!
(é uma espécie de promessa de email q uma vez me fizeste, acho ;p)
Adorei!
Posted by
S.A. |
16/3/06 8:11 a.m.
Menininhas, obrigada!
A emissão segue dentro de momentos (espero).
Posted by
Francisca |
23/3/06 1:43 a.m.
Excellent, love it! »
Posted by
Anónimo |
21/2/07 12:08 a.m.