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2.03.2005 

# 5

O meu testemunho

A minha gravidez de gémeos não foi tão inesperada, pois como fiz uma ICSI (micro injecção) onde foi transferido 2 embriões, tinha sempre essa possibilidade.
Fui uma das "sortudas" que conseguiu engravidar após um único tratamento. Digo mesmo "sortuda" pois convivi com muitas mulheres que estavam a tentar já há bastante tempo que me deram muito apoio e carinho e me transmitiram todas as suas experiências e expectativas. E é a essas mulheres que eu devo toda a calma e tranquilidade e carinho que tive durante o tratamento.
Bem, mas vamos voltar ao que me trouxe aqui: GÉMEOS.
Fiquei sabendo que estava grávida, 15 dias depois da transferência e com 6 semanas fiz a minha 1ª ecografia.
Quando a médica começou a fazer a eco, a brincar e sabendo que eu vinha da infertilidade, disse-me: "Quantos quer?" e eu respondi com um ar muito sério, "bem, eu quero os dois!". E ela disse-me "que são dois isso eu já vi, mas estou na dúvida se não haverá um terceiro lá atrás e bem escondido" Eu devo ter ficado branca como a cal pois ela rapidamente disse que estava a brincar e que eram mesmo só dois.
Saí da sala e mais parecia uma a dizer a toda gente que eram dois. Eu senti-me a rainha das rainhas e a mais abençoada de todas as mulheres. Liguei logo para o futuro papai para dar a notícia. Apesar de saber da possibilidade ele ficou ligeiramente gago...

Tive uma gravidez santa, apesar do chumbo que levava dentro de mim e do peso que ganhei (40 Kg! Uma vergonha!).
Nunca tive dores por aí além e fiz a minha vida normal quase até ao fim.
Tive um episódio muito engraçado perto das 33 semanas. Estava no 2º andar do Cascais shopping, e a escada rolante que descia estava avariada e interdita. O segurança ao olhar para mim, pediu para eu esperar um pouco e depois de falar no seu telefone, pediu para as pessoas que estavam a subir esperar. Inverteu o sentido da escada e lá desceu a rainha. Depois ele chegou ao pé de mim e disse. Parabéns há muitos anos que não via uma barriga, que só pode ser de gémeos, tão grande!
Fui uma grávida extremamente feliz (apesar de pouca participação por parte do meu marido) e esbanjava barriga até não poder mais.
Neste período contei com duas "amigas" inter que me ajudaram a esclarecer todas as minhas dúvidas e me acalmaram nos momentos de ansiedade. "O que fazer quando os dois chorarem ao mesmo tempo? Como me dividir em duas e poder dar todo o carinho que eles merecem?" Por incrível que pareça, estas eram as coisas que mais me preocupavam.
Por ser uma gravidez de risco (tinha 37 para 38 anos) e ainda por cima de gémeos, tinha consultas e fazia ecografias de 3 em 3 semanas até Às 33 semanas. A partir de aí deixei de fazer as ecos e passei a ter consultas e fazer o ctg 1 vez por semana.
Também fiz a aminiocintese.
O Parto estava marcado para o dia 3 de Agosto, mas como rompeu a
bolsa do Pedro, fui para o Hospital no dia 31 de Julho de madrugada.
Como não fiz a dilatação por completo, acabei fazendo uma cesariana
as seis da tarde. O que mais me custou foi ter de ficar 14 horas sem poder beber nem uma gota de agua e sem poder me mexer, caso contrário uns dos ctgs deixava de se ouvir. A secura da boca, garganta e nariz fazia-me uma certa asfixia. Estava um calor insuportável. Foi o dia mais quente
do ano.
Fiz a cesariana com epidural e deu para vê-los nascer. Foi um momento muito especial, ver aquelas carinhas pela primeira vez. Nunca vou me esquecer desse dia.
Eles nasceram bem, grandes e gordos. O Pedro nasceu ás 18:01 horas com 3.470 g e 48,5 cm e passado 1 minuto nasceu a Maria com 3,330 e 47,0 cm. Tive febre (40ºC) após o parto e só fui para o recobro passavam das 2
da manhã. Por isso nessa noite eles ficaram no berçário.
No dia seguinte levantei-me da cama e começei a tarefa de tratar
deles. Custou um bocadinho levantar e tive alguns vómitos.
Passado 5 dias fomos para casa

Enquanto estive grávida sonhei e fiz muitos planos dessa nossa nova vida e
quando vim para casa, tinha tudo idealizado na cabeça, o pai a
interagir com os filhos, a dar banhos e biberões,a fazermos tudo em
conjunto, enfim...
As coisas não correram como eu esperava e o nosso 1º ano foi bastante
complicado e tivemos quase para nos separar.
Os primeiros 3 meses então foi extremamente desgastante, pois tirando os primeiros 15 dias que a minha mãe veio passar comigo o resto foi sempre por minha conta. Eram 24 horas sobre 24 horas 7 dias por semana, pois nem aos fins de semana ele era capaz de dizer para eu ir descansar que ele ficava com as crianças, ou que eu não me preocupasse que ele dava os biberões da noite. Senti-me muitas vezes "uma mãe solteira" (sem querer tirar o devido valor de quem o é de verdade).
Criei expectativas e de certa forma a culpa talvez até tenha sido minha, não sei. E agora já nem vale mais a pena pensar muito no assunto.
Eu não soube lidar com a situação da melhor maneira. Tenho plena noção que neste período, deixei de ser esposa e mulher e passei a ser só mãe. E uma mãe extremamente galinha
e achava que só eu sabia o que era certo para eles. O que de certa
maneira fez talvez com que o pai se afastasse mais.
Hoje em dia as coisas estão bem melhores. Ele interage muito mais com as
crianças e até já dá banho e de comer quando é preciso, mas nunca por iniciativa própria. Continua a não abdicar do seu sono de fim de semana e eu a prendi a lidar com todas essas situações.
Agora os meus "pestinhas " estão com quase 30 meses e eu continuo com eles a 100% até Setembro, altura em que vão para o jardim de Infância.... assim espero, pois a minha sanidade física e mental já anda meio baralhada e isso de ficar 3 anos sem trabalhar emburrece ligeiramente uma pessoa.
Mas não há dúvida de que apesar de tudo é maravilhoso poder vê-los crescer de dia para dia e acompanhar de perto cada conquista e cada nova escalada da vida deles.


Solange, 31/01/06

"assim espero, pois a minha sanidade física e mental já anda meio baralhada e isso de ficar 3 anos sem trabalhar emburrece ligeiramente uma pessoa"

:)

Solange...grande mulher...acredita, por vezes sei bem o que isso de me sentir mãe solteira!!!

Beijoquinhas e coragem

!! também acho que emburrece um bocado, sim... ;)

muitos parabéns e espero que quando começar essa nova etapa, tudo fique mais equilibrado!

estar 24h/24h com eles faz mesmo com que pareça que o pai na verdade está ausente... sem estar!... e não é nada fácil contrariar isso (começando por nós...)

um beijinho!

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