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1.27.2005 

#1

A minha perspectiva

Estar grávida de gémeos é uma aventura que, no meu entender, procura antever - muito ao de leve - a aventura maior que é ter dois bebés da mesma idade nos braços. É completamente diferente daquilo que eu imaginava, obrigando-me a uma adaptação quase que diária à minha condição de quase-mamã-de-dois-gémeos-mais-duas-filhas.

E a aventura começa quando o médico nos dá a notícia de que transportamos dois seres dentro de nós. Desencadeando um misto de sensações e emoções, que vão desde a euforia total por termos o privilégio de viver uma realidade que não é tão comum assim, até ao receio profundo de que a nossa vida vá sofrer um grande desgaste (a todos os níveis: físico, psicológico, financeiro...).

O correr dos meses também não é pêra doce. Por mais que (as mamãs de gémeos) me tenham avisado de que as limitações e o cansaço iam ser muitos, eu sempre acreditei que ia continuar com a mesma energia que me é característica e que me acompanhou até ao dia dos partos das minhas filhas. Mas na verdade, uma barriga maior do que o normal (e, no meu caso, dois bebés maiores do que o normal) depressa se torna impeditivo para levar a minha vida de sempre. Doem-me todos os ossos e articulações, não consigo estar muito tempo sentada, tenho grandes dificuldades em partilhar as brincadeiras de chão com as minhas filhas, e já há muito que deixei de conseguir pegar ao colo na mais velhinha.

As energias estão em baixo, o cansaço é tremendo e as forças para fazer coisas tão simples como varrer o chão simplesmente não existem.

Depois são os olhares e as caras assustadas de quem sabe que vou ficar com quatro filhos. E os comentários menos felizes (que recebem sempre uma resposta muito feliz da minha parte). As pessoas que não entendem como vai ser posível gerir quatro crianças pequenas em casa. As pessoas que teimam em reforçar as dificuldades futuras em vez da oportunidade tremenda de amar tanta gente.

Já passaram sete meses e meio. E, no máximo, daqui a um mês tenho os meus filhos nos braços. Vai ser um mês complicado, exigente e cansativo. Com muita coisa para fazer e muito pouca vontade ou força de o executar.

Mas vai ser o último mês para a passagem para um estádio diferente. Com dificuldades, cansaços grandes mas diferentes e desafios constantes no meu dia-a-dia. Mas com muito amor. Disso tenho a certeza.

Porque, apesar de tudo - apesar do cansaço, da falta de forças, do peso, da exigência e da real dificuldade - eu, se pudesse voltar a trás e escolher, tornava a ouvir da boca do médico: 'temos novidades... não é um, são dois!'.

Alda, 19/01/06

Alda, és a minha grande inspiração!! A maneira positiva como escreves e descreves as coisas anima-me sempre. E como já és mamã de outras duas princesas, és o meu ponto de vigia para o meu breve futuro!
Mil e um beijinhos,

Naquele dia caiu o mundo sob a minha cabeça ... chorei muito, perguntei me muito como é que ira ser. Não tinha qualquer resposta para as minhas duvidas para as minhas perguntas. A minha segunda gravidez também foi uma gravidez de gemeos. Fui fazer a primeira ecografia com 6 semanas, para mim era uma gravidez muito normal um segundo filho (a) que vinha a caminho, muito desejado, pois ja tinha um rapaz, o André com dois anos. Afinal não vinha só o segundo, vinha o segundo e o terceiro. Quando o médico colocou o ecografo sob a minha barriga ... disse surpresa .... pensei ... não me digas que ele conseguiu ver se era rapaz ou rapariga ... com seis semanas de gestaçao para mim isso era impossivel ... mas disse são dois !!! ... Eu nao sabia o que fazer. Ao meu marido as lagrimas corriam lhe pela cara a baixo de alegria. Eu naquela altura não sabia o que era ... se era alegria ... nunca seria tristeza, mas posso vos dizer que é realmente uma sensação muito estranha. A partir daquele minuto tudo na minha vida mudou. Foi uma gravidez muito dificil, uma gravidez de alto risco, com cinco meses premanentemente deitada, com muitos problemas. Mas pelos meus rebentos eu fazia tudo ... tal como ainda hoje faço. nasceram de 33 semanas. Tal como diz a canção um e louro outro e moreno ... isso mesmo. Pelas ecografias eu sempre soube que eles seriam diferentes, eram hetrozigoticos e alem disso nas ecografias conseguiver muito bem. mas quando masceram foi o espanto total um era louro outro moreno. Ainda hoje e fizeram agora 3 anos. São a noite e o dia. lá diz o velho ditado depois da tempestade vem a bonança. Hoje estou muito grata por esta dadiva. Sim, e muito dificil nos dias que correm criar gemeos, mas tudo e compensado por aqueles sorrisos, pelas brincadeiras, por tudo que eles me proporcionam. E eu era daquelas mães que dizia gemeos que horror, ja viram ... um chora ... o outro chora ... um esta doente ... o outro esta doente ... mas a minha realidade e totalmete diferente. Para finalizar posso vos dizer: " SAIU ME O EUROMILHOES"

Também tenho um André que vai fazer 3 anos na data prevista de nascerem as gémeas. É verdade, também passei pelo mesmo mas foi mais tarde, ou seja, às 6 semanas só 1 coração batia e havia um outro saco que não tinha batimento cardiaco e que poderia ser um saco a desfazer-se (coisa comum segundo a médica!) Mas afinal às 9 semanas...surpresa...são 2 com batimento cardiaco....caiu-me tudo, principalmente porque não tenho casos de gemeos na familia.
Estou com 26 semanas, repouso absoluto a partir de agora para ver se a Catarina (o "saco" que estava a desfazer) cresce pois só está no P25, quanto à Ana está no P50 e tem a força da minha cunhada Ana, que faleceu fez agora 2 anos
e que sempre implorou por uma sobrinha, apesar de sempre ter adorado o sobrinho.

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